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Bruxas de verdade contam como comemoram o Halloween e significado do dia

Universa

31/10/2018 04h00

Bruxa só nos filmes? Que nada! Quem pensa que as bruxas deixaram de existir na época da inquisição, onde todas as mulheres que possuíam conhecimentos diversos sobre a natureza e a sociedade eram perseguidas e queimadas, está muito enganado. A religião nunca foi tão difundida abertamente como é nos dias de hoje. Mais do que usar chapéus de bruxa ou ter um gato preto, quem faz parte de alguma tradição segue suas festividades, rituais e rezos próprios. O Halloween, inclusive, tem um significado além das fantasias.

Aqui no hemisfério sul, o Dia das Bruxas coincide com o ápice da primavera, que na Roda do Ano — uma espécie de calendário bruxesco — é chamado de Beltane. O festival é marcado por flores e pelo plantio daquilo que desejamos colher, ainda que sejam intenções. A tradição que vemos nos filmes americanos é, na verdade, o Samhain, já que lá no hemisfério norte a estação presente em outubro é o outono, quando as folhas caem e fazemos a colheita. Cada uma dessas datas festivas são conhecidas como Sabbats.

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Como a bruxaria vem de uma tradição de países nórdicos, muitas bruxas da atualidade acabam seguindo a Roda Norte, ou seja, comemorando as festividades na estação correspondente ao outro hemisfério por acreditarem que a energia muda de acordo com a estação vigente. Quem comemora pela Roda Sul faz sua festividade de Dia das Bruxas normalmente no dia 31 de outubro, com as mesmas simbologias dos filmes, como a abóbora e as fantasias — são essas "roupas" que nos fazem passar despercebidos entre os seres de outras dimensões, já que acredita-se que nesse dia abre-se um portal entre "o lado de lá" e o mundo real.

 Ficou curioso para saber como são essas comemorações e rituais? Leia depoimento de bruxos de verdade sobre o Halloween abaixo!

 Brigid Brida Morgan, 36 anos

"Comecei a estudar magia com 11 anos de idade, já que tive a espiritualidade muito precoce com meus pais espíritas. Aos meus 12 anos, minha mãe conheceu a 'magia branca', um termo que era usado na época, e eu acabei chegando à Wicca, que é a porta mais fácil para a bruxaria no Brasil mesmo não sendo a única vertente. Não sou iniciada por ninguém, o isso causa muita divergência. Fui iniciada por mim mesma e a cada ano renovo votos com novas faces de mim. Brinco que sou metade bruxa, metade xamã. A vertente que mais se aproxima do que eu cultuo é a Bruxaria Natural.

O Dia das Bruxas é muito importante para mim. É uma data fortíssima, mas bem obscura, na minha opinião. É quando podemos nos curar e nos aproximar de nossos ancestrais. Sempre faço um altar com fotos da minha árvore genealógica e medito. É um rito de morte e renascimento, por isso me permito silenciar e estar perto de uma fogueira. Costumo comemorar com minha filha e minha mãe a roda mista, que se divide nos costumes do hemisfério Norte e Sul. Dia 31 abre-se um portal entre outros mundos, então as vibrações ficam mais fortes. Tanto as boas, quanto as ruins. Esse portal só se fecha na noite do dia 2 de novembro."

Pam Gaya, 31 anos

"Sou praticante de bruxaria há 11 anos. Fui consagrada como sacerdotisa na Wicca, mas há 3 anos fundei minha própria tradição, a Bruxaria da Floresta, que mistura magia natural com as medicinas da floresta, ou seja, indígenas. É um compilado entre xamanismo e bruxaria natural. Na minha caminhada, a bruxaria ajudou com a conexão com os meus ciclos, com a mãe terra, com a lua, com tudo que está a nossa volta.

No dia 31, a nossa tradição comemora o festival Beltane, que marca o ponto alto da primavera. Comemoramos a união do Deus e da Deusa, ou seja, do Sol e da Terra. Essa união faz com que todas as coisas germinem, por isso também chamamos outubro de mês do Casamento Sagrado. O nosso Dia das Bruxas verdadeiro seria o Samhain, que é comemorado em março. Hoje, para nós, é a comemoração da primavera, do grande casamento do Deus e da Deusa. Comemoramos honrando-os, fazendo guirlanda de flores e também trançando fitas em volta do mastro sagrado."

 Aline Shamala, 26 anos

"Sou o que chamam de 'bruxa solitária', que pratica a arte sem estar vinculada a um Coven (grupo de estudos) ou tradição específica. Meu contato com a bruxaria começou aos 13 anos. Eu amava a natureza desde pequena, gostava de observar seus ciclos, sentia afinidade com a mata e adorava animais. Junto a isso, me questionava sobre alguns padrões punitivistas das religiões que conhecia na época. Não entendia por que Deus parecia sempre tão carrancudo, se tudo havia sido dado por ele. Quando passei a estudar a bruxaria, me identifiquei no padrão de feminino e masculino igualmente importantes, e pude experimentar a liberdade de compreender que não há pecado no prazer e no amor. Passei a compreender meus ciclos internos através das simbologias que os próprios ciclos da natureza.

Como eu sigo as estações do ano no hemisfério sul, meu Dia das Bruxas será uma comemoração de primavera. Tempo de observar o florescimento das coisas que plantei, de celebrar a vida, os amores, e pedir auxílio e proteção para mim e para os que amo. Costumo celebrar sozinha ou com amigos, em rituais pequenos com representações dos quatro elementos da natureza e, especialmente, com meus oráculos e um caldeirão em chamas."

Fernanda Surati, 26 anos

"Me interesso por magia e ocultismo desde que sou criança. Vivia treinando projeção astral e lendo sobre qualquer coisa mágica que eu encontrasse. Sempre fui bruxa solitária, até mudar para São Paulo, onde me iniciei em Xamanismo em um clã só de mulheres, que trabalha com xamanismo ancestral, andino, norte americano e brasileiro, com as medicinas da floresta. A tradição tem como as deidades centrais do clã Shiva e Durga, e de lá eu me iniciei numa tradição que mescla magia e medicinas da floresta, chamada Bruxaria da Floresta. Também estudei Hermetismo, e trabalho com vários panteões diferentes, tanto em grupo quanto sozinha. Sou uma feiticeira bem diversificada [risos].

Faço o que chamam de Roda do Sul. Para mim essa data é sobre conexão, sobrevivência, paixão e ancestralidade. É a união com a Terra. Como eu vou comemorar Beltane, vai ser um rito em casa, celebrativo, unindo as polaridades do Deus e da Deusa."

Barbara Schrage, 32 anos

"Me identifico como bruxa desde os 14 anos de idade. Sempre vi e ouvi coisas que sabiam que estavam ali, mas que ninguém mais via. Vim de família sem religião, então sozinha cai na bruxaria sozinha, de tanto ir em livrarias. Estudei Wicca mas nunca me identifiquei. Sou da Bruxaria Natural. Nunca deixei de acender velas, fazer chás e usar ervas, mas fui aprofundando tudo ao conhecer outras religiões e filosofias. Sou uma bruxa eclética, uma mistura de toda a minha ancestralidade com muito estudo sobre corpos energéticos e uma quedinha pela Umbanda.

Minha espiritualidade é o que me move, trabalho com ela e sou muito grata por tudo que recebo. É a minha forma de honrar todos os meus ancestrais e todos os caminhos que eles passaram para eu poder estar aqui. Halloween ou Samhain é o meu Sabbat favorito, tanto que comemoro sua versão em maio, pela roda de Sabbat do hemisfério sul, e comemoro também, mais uma vez, na roda do ano do hemisfério norte, agora em outubro. Eu faço festa, acendo o caldeirão e também muitas velas. Chamo todos os meus ancestrais para dançarem comigo!"

Bri An, 22 anos

 "Sou bruxo e praticante solitário há oito anos. Comecei minha jornada aos 13 anos, e lembro que o meu primeiro livro sobre essa temática foi o do bruxo e autor Scott Cunningham, sobre Magia Natural. Nunca mais parei de ler e estudar. Sempre fui muito atraído pela magia em particular, me encantava ver as bruxas dos filmes fazendo seus feitiços, gargalhando enquanto mexiam em seus caldeirões. Não sigo uma tradição ou um Coven, mesmo tendo participado de um há três anos. Sou eclético e tenho um forte trabalho mágico com o Sagrado Feminino.

Eu vejo que o Dia das Bruxas atualmente traz a inesquecível lembrança de que a bruxa teve um enorme papel na sociedade. E, mais do que isso, continua tendo. Eu me baseio pela Roda do hemisfério norte, por isso não considero apenas uma festa de crianças em buscas de doces. Comemoro o Samhain, com a energia do outono. Realizo sempre uma meditação sobre os temas que me cercam no momento e me junto aos meus ancestrais para celebrar com muita alegria, um banquete de comidas e danças em volta do caldeirão aceso. É um momento importante para nós, bruxas e bruxos. Celebre os que vieram antes de vocês, garanto que há uma enorme força emanando deles."

 Camila Del Giudici, 28 anos

 "Sou iniciada na Bruxaria Natural e em duas grades do Hermetismo. Atualmente estou praticando e estudando de forma autônoma. Antes de entrar para este mundo mágico, eu tinha consciência das energias que influenciavam o Halloween, mas tratava mais como uma festa comum, em que as pessoas se fantasiavam com temas místicos ou trevosos por causa da cultura dos filmes norte-americanos. Durante anos de estudo, aprendi o que de fato simboliza o Dia das Bruxas. Vivenciei e conduzi rituais de Sabbat, e um dos mais incríveis é o Samhain, por ser justamente o momento do ano em que podemos nos conectar mais intensamente com os espíritos, já que os véus entre estes mundos está mais fino.

Meu dia das bruxas este ano será em um ambiente bem diferente do que eu estava acostumada, pois aceitei uma missão de coração e vou conduzir um ritual de Samhain com o objetivo de proporcionar conexão com os ancestrais, buscando a cura de feridas antigas que chegaram até cada um nós e transmutando para trazer a cura de toda linhagem familiar das participantes. Além disso, vamos confeccionar vassouras mágicas com objetivo de banimento e limpeza, para que nossos lares sejam sempre ambientes prósperos e alegres."

Thalita Leal, 22 anos

"Minha família é evangélica, cresci indo para o culto todo domingo e fui batizada aos 12 anos. Em 2013, comecei a sentir muito desconforto dentro desse ambiente cristão, e não me sentia aceita dentro da igreja. Nem pintar as unhas de vermelho eu podia. Esse discurso todo me gerava muita culpa, eu me sentia suja e pecadora. Por isso, fui abandonando a crença quando eu tinha uns 14 anos. Antes de entrar para a bruxaria, passei por muitas filosofias e ganhei uma visão mais ampla da espiritualidade, até que a bruxaria começou a aparecer na minha vida de uma maneira muito inconsciente.

Eu não tenho uma só vertente, mas além da Bruxaria Natural, me identifico muito com as bases da Alta Magia, da Alquimia e do Hermetismo. Não participo de nenhum Coven, me considero uma praticante solitária, mas aprendi muitas coisas com grupos e movimentos da Bruxaria Tradicional, apesar de nunca ter feito parte oficialmente de nenhum deles. O Dia das Bruxas para mim tem um significado que vai além das comemorações populares (que eu também adoro), acredito é um momento de celebração, agradecimento e conexão com a nossa ancestralidade. Esse ano eu participarei de um ritual junto a bruxos de um templo que costumo frequentar."

Camila Eiroa, em colaboração para Universa

 

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